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Ansiedade e Depressão

A ansiedade e a depressão são formas de sofrimento psíquico que podem afetar o corpo, os pensamentos, as relações e a forma como a pessoa se percebe na vida.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil apresenta uma das maiores prevalências de transtornos de ansiedade no mundo e é o país com os maiores índices de depressão na América Latina. Fatores como estresse, violência e vulnerabilidade social contribuem para esse cenário.

Apesar de comuns, esses quadros são singulares e podem se manifestar de maneiras diferentes em cada pessoa.

Sintomas de ansiedade e depressão

Algumas pessoas vivenciam inquietação constante, aceleração dos pensamentos, tensão muscular, medo difuso, dificuldade para relaxar e sensação de alerta permanente — sintomas frequentemente associados à ansiedade.

Outras podem apresentar tristeza persistente, perda de interesse, cansaço, desânimo, vazio, culpa, dificuldade de concentração e sensação de afastamento de si mesmas — experiências comuns em quadros de depressão.

Também é possível que a ansiedade e a depressão apareçam de forma combinada, tornando o sofrimento mais complexo e, muitas vezes, mais difícil de nomear.

Como a ansiedade e a depressão afetam o corpo

Alterações no sono, apetite, energia, libido e disposição física podem fazer parte do quadro, já que a ansiedade e a depressão não se manifestam apenas em pensamentos ou emoções. Em muitos casos, a pessoa percebe que não está apenas “pensando demais” ou “ficando triste”, mas vivendo um sofrimento que atravessa toda a experiência de existir.

Sintomas físicos como cansaço, dores, alterações gastrointestinais, insônia, sensação de aperto no peito, falta de ar, tensão muscular e exaustão também são comuns.

Quando o sofrimento psíquico se prolonga, o corpo frequentemente passa a carregar parte importante dessa experiência.

Ansiedade: quando o estado de alerta se torna constante

A ansiedade pode surgir como uma tentativa do psiquismo de se preparar para algo que ainda não aconteceu. Trata-se de um estado de atenção voltado para a antecipação de possíveis ameaças.

Em níveis mais intensos, deixa de ser apenas uma reação natural e passa a interferir na vida cotidiana. A pessoa pode sentir preocupação excessiva, medo sem causa clara, taquicardia, dificuldades para respirar profundamente e sensação constante de estar em alerta.

Depressão: perda de energia, sentido e vitalidade

A depressão pode se manifestar como tristeza profunda, perda de vitalidade, apatia, desânimo, sensação de vazio e dificuldade de sentir prazer. Em muitos casos, envolve um movimento de retração voltado para experiências já vividas, que permanecem ativas internamente.

Em alguns casos, a pessoa continua funcionando externamente, mas internamente se percebe desconectada, cansada e sem energia para sustentar a vida como antes.

Uma compreensão a partir da Psicologia Analítica

Na perspectiva da Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, sintomas de ansiedade e depressão podem ser compreendidos como expressões de conflitos internos mais profundos.

Em vez de serem vistos apenas como algo a ser eliminado, esses sintomas podem ser entendidos como sinais de que algo precisa ser reconhecido, simbolizado e elaborado.

A ansiedade pode indicar um estado de tensão psíquica diante de conteúdos não integrados ou de um excesso de controle. Já a depressão pode revelar um movimento interno de recolhimento, interrupção ou perda de sentido que pede escuta cuidadosa.

Tratamento da ansiedade e depressão: o papel da terapia

Dessa forma, o tratamento da ansiedade e da depressão envolve a possibilidade de compreender o sofrimento para além dos sintomas.

Em um processo de análise há espaço para uma escuta acolhedora, onde a pessoa pode nomear suas experiências, reconhecer padrões e compreender suas emoções.

Esse processo pode favorecer mais consciência, autonomia e novas formas de se relacionar consigo mesma, com o corpo e com a própria história.

A terapia pode auxiliar na compreensão do que está sendo vivido e na construção de caminhos mais possíveis, com mais presença, sentido e qualidade de vida

Em alguns casos, experiências traumáticas podem estar relacionadas ao surgimento ou à intensificação da ansiedade e da depressão. Quando isso acontece, é importante considerar também a presença de quadros como o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, que podem influenciar a forma como o sofrimento se organiza e se manifesta.

Flor de cerejeira
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